Combinaram às 15h na porta da lanchonete do antigo bairro, que era o meio do caminho para os dois.
Que surpresa ele não teve ao vê-la tão parecida do que era quando se conheceram na juventude. Estava mais velha é verdade, mas ainda conservava a beleza daqueles tempos.
Tantos anos sem vê-la fizeram-no fantasiar coisas a seu espeito, principalmente por lembrar-se do tempo em que foram namorados, naquela época em que tudo lhes parecia possível, até mesmo lutar contra uma Ditadura Militar.
Ficou todo cheio de si quando ela respondeu ao seu telefonema e combinaram de ver-se.
Poder abraçá-la, cheirá-la outra vez, era uma vitória grande. Por outro lado, ela só falava de si todo o tempo, de onde estivera, o que fizera, com quem andara, o que comprara, quem deixara. Foram tantos eus em tão poucos minutos de encontro que chegou mesmo a arrepender-se de tê-la convidado.
Chegou a conclusão que algumas pessoas são muito melhores em nossas lembranças.